Exame microscópico do processo de desmineralização/remineralização

Para compreender o conceito, podemos examinar esta lesão que foi preparada para  exame no microscópico. É fácil observar a capa exterior, a capa superficial, e a zona desmineralizada interna, denominada lesão subsuperficial.

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Micrografia com luz polarizada(em água) de uma lesão subsuperficial incipiente no esmalte.A área azul é esmalte normal e a área superficial sobre a lesão. A área marrom é a lesão incipiente.

(Imagem facilitada por: Dr. James Wefel)

O cálcio e o fosfato se dissolvem a partir dos cristais em um ambiente complexo. O conceito de um «pH crítico» é a situação em que ocorre esta perda neta. Anteriormente, acreditava-se que era um valor fixo, mas agora se aceita que corresponde a um valor inversamente proporcional às concentrações de cálcio e fosfato em solução no ambiente localizado4 Larsen e Pierce5 desenvolveram um programa informático para examinar a solubilidade do esmalte. Demonstrou-se que pequenas mudanças no pH ao redor de 4 têm um impacto significativo no potencial de desmineralização do esmalte.

O que ocorreu realmente? Os ácidos se difundem através da substância interprismática e viajam ao longo da margem dos bastonetes a uma área de menor conteúdo em flúor. (Nota: as 10 micras externas de esmalte contêm uma concentração maior de flúor).

À medida que o processo de desmineralização avança, as bordas do cristal do esmalte se desmineralizam,. . . quer dizer, o cálcio e o fosfato se dissociam na pequena área subsuperficial.

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Cristais do esmalte parcialmente desmineralizados

Este processo produz o desenvolvimento de uma lesão incipiente (começa entre 10 e 15 micras abaixo da superfície), que tem uma capa superficial relativamente intacta que não  pode ser penetrada com uma sonda de exploração. Se o desafio ácido continuar, maiores quantidades de esmalte subsuperficial serão desmineralizadas (ou, tal como algumas vezes se fala, se «descalcificará») e a lesão progredirá de forma mais profunda dentro da subsuperfície da capa do esmalte.

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Micrografia com luz polarizada (em água) de uma lesão subsuperficial incipiente no esmalte (aproximadamente a metade do esmalte), mostrando o corpo de uma lesão em marrom com sua frente de avanço, e uma zona superficial azul na superfície do esmalte, tal como  mostrado no diagrama anexo.

(Imagem facilitada por: Dr. James Wefel)
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Lesão incipiente

O processo da cárie é uma situação dinâmica que ocorre com flutuações substanciais do pH Micrografia de luz polarizada (em água) de uma lesão subsuperficial incipiente do esmalte. A zona azul é esmalte normal e a zona superficial sobre a lesão. A zona marrom é a lesão incipiente.

(Imagem facilitada por: Dr. James Wefel)

que ocorre no biofilme do dente. Kidd e Fejerskov6 descrevem este processo e sua histopatologia e indicam que a «eliminação regular do biofilme, preferentemente com um creme dental que contenha flúor, atrasa ou inclusive detém o avanço da lesão». Os processos de desmineralização e remineralização podem ocorrer de forma simultânea ou alternativa. Foi utilizado o microscópio eletrônico de transmissão de alta resolução para demonstrar como são estes cristais nas lesões das cáries.7 De forma muito simples em termos cristalográficos, a dissolução do cristal é a desmineralização, e a restauração dos cristais parcialmente dissolvidos, crescimento dos cristais sobreviventes e formação de cristais novos dentro da lesão cariosa é a remineralização. Se a desmineralização neta avança, ao final, a capa exterior do esmalte se observa amplamente minada, e o resultado clínico será uma área «pegajosa» ou «suave» para o explorador junto com a evidência visual da desmineralização. Larsen e Bruun8 descrevem este processo em detalhe no capítulo de seu livro de texto sobre «Química da cárie e do flúor: mecanismos de ação». Comentam a teoria que afirma que quando «. . . o flúor está presente na fase aquosa ao redor do dente, na saliva e no líquido da placa, a solubilidade do esmalte é baixa, o que tende a protegê-lo da dissolução».

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Lesão avançada
Remineralização
Remineralização

A remineralização da lesão superficial ocorre quando os íons de cálcio e fosfato dissociados se recombinam para formar um cristal inclusive mais forte. Esta reação está favorecida em presença de flúor.

Portanto, o flúor muda o processo de remineralização, ao atuar como um catalisador do crescimento do mineral. A ação do flúor acelera a reconstrução do esmalte e pode deter ou inclusive reverter a progressão da cárie dental e, o mais importante, tornar o esmalte mais resistente à desmineralização ácida do que era originalmente.

Na literatura está documentado que os processos de remineralização e desmineralização são parecidos, independentemente da superfície em que ocorrem (fossas, fissuras e superfícies lisas do esmalte). Entretanto, algumas superfícies tendem a ter maior incidência de formação de lesões, quando comparadas com outras. Esta é principalmente uma função de uma combinação da morfologia e acessibilidade do dente para a limpeza, com as fossas e fissuras ao longo dos pontos interproximais que experimentam as maiores taxas de formação da lesão.