Fatores de Risco Específicos do Paciente

Nunca trate um estranho.” A identificação de fatores de risco específicos do paciente é baseada em dados obtidos da avaliação física.1 Doenças pregressas e atuais; internações importantes; revisão de sistemas de órgãos; história familiar; história social; história de alergias a medicamentos e outros efeitos medicamentosos adversos; medicamentos, vitaminas e outros suplementos dietéticos (incluindo dietas especiais) atualmente tomados pelo paciente devem ser considerados na determinação do risco perioperatório.

Como a resposta ao estresse é mediada principalmente pelo sistema simpático-suprarrenal, a anamnese também deve procurar determinar a capacidade funcional (CF) do paciente.13 A CF relaciona-se com a reserva funcional de uma pessoa, que se correlaciona bem com o consumo máximo de oxigênio durante o teste em esteira e é expresso em equivalentes metabólicos (MET). Um MET é igual à necessidade de oxigênio basal ou de repouso (isto é, 3,5 MI de O2 por kg por minuto) de um homem de 40 anos e 70 kg.

Um método validado para determinar a CF, baseado na capacidade de uma pessoa de realizar um espectro de atividades diárias comuns, é apresentado no Quadro C.14-16 A CF é classificada como excelente (> 10 MET), boa (7 MET a 10 MET), moderada (6 MET a 4 MET) ou ruim (<4 MET). A incapacidade de uma pessoa subir dois lances de escada ou correr uma curta distância indica baixa capacidade funcional (<4 MET). Quando a capacidade funcional é baixa, o risco de uma emergência médica é alto.13

Quadro C. Necessidade Estimada de Energia para um Espectro de Atividades Diárias Comuns.13-15

1 MET



<4 METs
  Você consegue
  • Cuidar-se?
  • Comer, vestir-se ou usar o banheiro?
  • Caminhar ao redor da casa?
  • Caminhar 100 m em terreno plano a 3 a 5 km por hora
≥4 METs



>10 METs
  Você consegue…
  • Subir dois lances de escada ou caminhar subindo um morro, ou correr uma pequena distância?
  • Fazer trabalhos pesados ao redor da casa como esfregar o chão ou levantar ou mover móveis pesados?
  • Participar de esportes extenuantes como natação, tênis individual, futebol, basquete ou esqui?

Por exemplo, uma pessoa sem evidências de doença arterial coronariana (DAC), mas que relata uma história de sedentarismo e CF precária pode se beneficiar de uma avaliação pré-operatória. Por outro lado, um paciente considerado de alto risco devido a uma história de DAC assintomática e que corre 30 minutos diariamente pode não precisar de mais exames cardiovasculares antes de prosseguir com procedimentos odontológicos planejados, ou seja, quando a capacidade funcional é alta, o risco de emergência médica é baixo.

O exame físico também faz parte da avaliação de risco.1,13 O estado mental e a aparência geral do paciente, por exemplo, cianose, palidez, diaforese, falta de ar, aperto e/ou dor no peito com atividade mínima, tremor, ansiedade e edema periférico são sinais e sintomas que fornecem pistas valiosas sobre o estado geral da saúde do paciente. Criticamente, o exame físico também deve incluir uma determinação dos sinais vitais basais do paciente. Quadro D.1,13

Quadro D. Sinais Vitais.1

Pressão arterial
  • Normal: <120/80 mm Hg
  • Pré-hipertensão: 120-139/80-89 mm Hg
  • Anormal; <90/50 or ≥140-90 mm Hg
Taxa de pulso e ritmo
  • Normal – adulto: 60-100 batimentos/min.
  • Normal – criança: 90-120 batimentos/min.
  • Normal – aged: 70-89 batimentos/min.
  • Anormal: <90/50 or ≥140-90 mm Hg
Frequência respiratória
  • Normal – adulto: 16-20 respirações/min.
  • Normal – criança: 24-28 respirações/min.
  • Anormal; frequências <10 or >20 respirações/min.
Temperatura corporal
  • Normal: ≈37°C (orally)
  • Variação circadiana máxima: ≈0.6°C
  • Febre: ≥37.8°C (oral)

Definido com base em fatores de risco específicos do paciente identificados durante a avaliação física, o sistema de Classificação do Estado Físico (EF) da Sociedade Norte-Americana de Anestesiologia (ASA) fornece um método prático para quantificar o risco perioperatório de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos (e por extensão odontológicos) (Quadro E).17,18 A taxa de complicações perioperatórias em medicina está intimamente relacionada com a classificação ASA PS e varia de 0,4/1000 a ASA PS I até 9,6/1000 para ASA PS IV.19

Quadro E. Necessidade Estimada de Energia para um Espectro de Atividades Diárias Comuns.16,17

Estado físico Risco de evento médico importante
ASA PS I
  • Paciente saudável normal
    • Sem limitação para atividade física
      • Excelente capacidade funcional
        • >10 MET
  • Risco remoto
    • Nenhum problema orgânico, fisiológico ou psiquiátrico
      • Exclui os muito jovens e os muito idosos
ASA PS II
  • Paciente com doença sistêmica leve bem controlada que afeta um sistema de órgãos
    • Sem limitações funcionais significativas
      • Boa capacidade funcional
        • 7 a 10 MET
  • Risco mínimo
    • Hipertensão (HTN) bem controlada; diabetes melito (DM); problemas respiratórios, isto é, asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); distúrbio convulsivo
    • Obesidade leve (IMC 30-39)
    • Gravidez
ASA PS III
  • Paciente com uma ou mais doenças sistêmicas moderadas a graves
    • Limitação funcional substancial (mas não incapacitante)
      • Capacidade funcional moderada
        • 4 a 6 MET
  • Nenhum risco imediato
    • DM ou HTN mal controlado
    • Insuficiência cardíaca congestiva assintomática (ICC)
    • Angina estáve
    • História de (> 3 meses) infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), ataque isquêmico transitório (AIT) ou stents de artérias coronárias
    • Obesidade mórbida (IMC ≥40)
    • Doença renal terminal (DRT), paciente submetido a diálise programada regular
    • Problemas respiratórios com sintomas intermitentes (asma, DPOC)
ASA PS IV
  • O paciente tem pelo menos uma doença sistêmica grave que é mal controlada ou está em estágio final e é uma constante ameaça à vida
    • Limitação funcional substantiva (incapacitante)
      • Baixa capacidade funcional
        • <4 MET
  • Possível risco
    • História recente (<3 meses) de IM, AVC, AIT
    • angina estável
    • disfunção valvar grave
    • DPOC sintomática
    • ICC sintomática
    • Insuficiência hepato-renal
    • DRT, paciente não submetido a diálise programada
ASA PS V
  • Pacientes moribundos, cuja expectativa de vida não passa de 24 horas sem intervenção médica ou cirúrgica
    • Nenhuma reserva funcional residual
  • Risco iminente
    • Falência de múltiplos órgãos