Anafilaxia

A anafilaxia (Tabela 10) é uma reação de hipersensibilidade do tipo I. A exposição inicial a um alérgeno resulta na produção de anticorpos específicos para o antígeno, dominada pelo isotipo da imunoglobulina E (IgE). Após a reexposição, os anticorpos IgE ligam-se a mastócitos e basófilos associados a tecidos epiteliais e das mucosas. A ligação simultânea de um antígeno a moléculas de IgE adjacentes fixadas a receptores Fc desencadeia a desgranulação de mastócitos e basófilos, resultando na liberação de histamina, leucotrienos, prostaglandinas, quimiocinas, enzimas e citocinas em tecidos-alvo.

Tabela 10. Anafilaxia.

Prevenção:
  • Identificar o paciente em risco
    • Uma história negativa de reação anafilática prévia não descarta a possibilidade de um tipo de reação alérgica
Sinais e sintomas:
  • 1 a 15 minutos após a exposição a um alérgeno específico
    • Prurido, urticária, angioedema
    • Tosse, estridor, dispneia, sibilância,
    • Agitação, rubor, palpitação
    • Falta de resposta, convulsão,
    • Hipotensão, choque cardiogênico
Resposta de emergência:
  • Colocar o paciente em decúbito dorsal
    • Acionar o SME
      • Administrar imediatamente epinefrina a 1:1000
        • Adulto: epinefrina (EpiPen), 0,3 mg, IM (coxa anterolateral)
        • Criança: epinefrina (EpiPen Jr), 0,15 mg, IM (coxa anterolateral)
      • Se o paciente não responder à dose inicial de epinefrina e a chegada do SME exceder 5 a 10 minutos, uma dose de repetição pode ser administrada
        • Pacientes com estridor e sibilos que não respondem à epinefrina devem receber O2
          • 4 a 6 L/minuto por cânula nasal
        • Monitorar sinais vitais
          • Se a qualquer momento o paciente deixar de responder, não houver respiração normal ou pulso palpável, considerar o diagnóstico de parada cardíaca
            • RCP e desfibrilação imediatas congruentes com as recomendações atuais
Observação:
  • Sinais de recuperação: o caráter da respiração retorna ao normal, os sinais vitais retornam aos valores basais
  • Sinais de deterioração: perda de consciência, respiração instável, sinais vitais instáveis
  • Para pacientes com doenças cardiovasculares e/ou diabetes melito, inicie o tratamento com doses menores de epinefrina
    • Paradoxalmente, os pacientes que tomam agentes bloqueadores beta-adrenérgicos podem necessitar de mais epinefrina para reverter os efeitos da anafilaxia.