Avaliação oral

Os dentes do paciente podem demonstrar seu estilo de vida e podem, perfeitamente, refletir anos de trauma por má escovação, uso de agentes ácidos e químicos ou mesmo hábitos alimentares. A aparência e a estrutura dos dentes tendem a mudar com o tempo, e reconhecer esses padrões é o primeiro passo na avaliação oral do paciente idoso. Não podemos prever quais serão os sintomas orais, já que cada pessoa é diferente. No entanto, algumas das características mais comuns serão consideradas. Muitas vezes, há algumas mudanças óbvias na espessura do esmalte e da dentina, presença de retração gengival levando à maior incidência de cáries radiculares, especialmente em dentes com coroas ou pontes, e até mesmo sensibilidade reduzida ao frio ou calor. Pode haver sinais visíveis de queratinização reduzida, xerostomia aumentada ou doença periodontal, levando a dentes soltos e subsequente perda de dentes.47 Nos casos de pacientes idosos com edentulismo parcial ou completo, os sulcos alveolares são mais suscetíveis a reabsorção ou de ficarem afiados e, muitas vezes, têm baixas taxas de sucesso tanto na fabricação quanto no uso de próteses dentárias.

Existem muitos outros fatores que podem ter impacto direto ou indireto sobre a saúde bucal dos idosos. O estado físico e cognitivo, as condições socioeconômicas, o nível educacional, os níveis de motivação pessoal, etc. são alguns aspectos que precisam ser considerados antes de oferecer opções extensas de tratamento. É aconselhável não agendar pacientes idosos para consultas odontológicas com múltiplos procedimentos planejados durante uma única sessão. A capacidade dos pacientes idosos de lidar com procedimentos odontológicos complicados tende a diminuir com o tempo, especialmente com a diminuição do estado de saúde.

A equipe odontológica deve avaliar essas limitações e entender que ainda não temos ‘‘varinha de condão’’ para resolver todos os problemas odontológicos. Cada paciente idoso apresenta um conjunto único de condições que precisa ser respeitado em todos os momentos. É compreensível que seja mais fácil falar do que fazer isso. No entanto, para que isso se torne uma prática bem-sucedida que inclua o cuidado de pacientes idosos, é essencial identificar áreas de melhoria, treinar a equipe e buscar maneiras inovadoras de proporcionar um tratamento eficaz e eficiente para os idosos.