Periodontite e Resultados Adversos na Gravidez

A evidência para a associação entre resultados adversos na gravidez e periodontite é a seguinte:

  • Plausibilidade – a evidência atual apoia a ideia de que micro-organismos orais e seus produtos entram na circulação sanguínea e viajam diretamente para o ambiente fetal, onde causam respostas inflamatórias e imunes que afetam a unidade feto-placentária. Essas bactérias na circulação também podem circular para o fígado, onde são produzidos agentes inflamatórios que, por sua vez, circulam para o feto em desenvolvimento.
  • Epidemiologia – em estudos clínicos, baixo peso ao nascer, nascimento prematuro e pré-eclâmpsia foram associados à presença de periodontite na mãe, quando todos os outros fatores de risco foram contabilizados. No entanto, a força da ligação encontrada entre periodontite e esses resultados da gravidez varia entre os estudos, e alguns não mostram associação nenhuma. A heterogeneidade dos dados provavelmente se deve a diferenças nos desenhos de estudo, nas populações de estudo e nos diferentes métodos utilizados para avaliar e classificar a doença periodontal.
  • Estudos de intervenção – os resultados dos ensaios clínicos demonstraram que, em geral, a raspagem e o desbridamento radicular realizados durante o segundo trimestre da gravidez, com ou sem terapia antibiótica, não melhoram significativamente os resultados adversos na gravidez, como nascimento prematuro e baixo peso ao nascer. No entanto, alguns ensaios clínicos relataram um efeito favorável geral e é possível que certas populações de mulheres grávidas possam se beneficiar da terapia periodontal, embora outras não se beneficiem. Um motivo para resultados negativos de estudo pode ser que a interação entre a periodontite e os resultados da gravidez é mais complexa do que nossa compreensão atual. Além disso, os resultados do estudo podem ter sido afetados pelo tipo e tempo de tratamento empregados e pelos tipos de pacientes selecionados.