Doença Periodontal e Diabetes

Estudos epidemiológicos transversais e prospectivos mostraram que a periodontite aumenta o risco de controle glicêmico inadequado em pacientes com diabetes melito, bem como de complicações do diabetes e da morbidade associada.

A evidência para a associação entre diabetes e periodontite é a seguinte:

  • Plausibilidade – o diabetes tipo 2 é precedido por inflamação sistêmica, levando à redução da função das células β pancreáticas, apoptose e resistência à insulina. Evidências crescentes sustentam a inflamação sistêmica elevada (biomarcadores de estresse oxidativo e da fase aguda), resultante da entrada de organismos periodontais e seus fatores de virulência na circulação, fornecendo mecanismos biologicamente plausíveis para sustentar o impacto adverso da periodontite sobre o diabetes e suas complicações.
  • Dados epidemiológicos– há evidências consistentes e robustas que demonstram que a periodontite grave afeta negativamente o controle glicêmico no diabetes e a glicemia de pacientes não diabéticos. Além disso, em pacientes com diabetes, existe uma relação direta e dose-dependente entre a gravidade da periodontite e as complicações do diabetes. Evidência emergente indica um aumento do risco de aparecimento de diabetes em pacientes com periodontite grave.
  • Estudos de intervenção – alguns ensaios clínicos randomizados demonstram que a terapia periodontal mecânica associa-se a uma redução moderada de HbA1C aos três meses.16 Um ensaio clínico randomizado multicêntrico de larga escala mais recente, porém, concluiu que o tratamento periodontal não cirúrgico de participantes com diabetes tipo 2 e periodontite crônica não demonstrou benefício para medidas de controle glicêmico.17