Dentalcare.com.br

Processo de cárie e estratégias de prevenção: Diagnóstico
Introdução

Autor do curso: Amid I. Ismail, BDS (Bacharel em Ciências Odontológicas), MPH (Mestre em Saúde Pública), MBA (Mestre em Administração de Empresas), DrPH (Doutor em Saúde Pública)

Introdução

Durante grande parte do século passado, o diagnóstico da cárie dentária envolveu apenas a detecção de cavitação.1 Nas últimas décadas, porém, o processo de cárie passou a ser reconhecido como uma doença de biofilme caracterizada por períodos prolongados de pH baixo na boca, resultando em dissolução e perda líquida de minerais dos dentes. Agora, a desmineralização dos dentes é entendida como um processo fisiológico contínuo e a compreensão da cárie mudou: em vez de ser entendida como um episódio distinto de cavitação, a desmineralização é considerada hoje um espectro que varia da microporosidade à cavitação.2 Como a ênfase no tratamento da cárie está mudando do reparo cirúrgico para estratégias que a previnam, o desafio atual para os profissionais é fornecer critérios melhores para estabelecer o verdadeiro estado de determinado dente. Portanto, o principal objetivo do diagnóstico da cárie é identificar o processo da doença do biofilme e também os primeiros sinais de desmineralização do dente, a fim de interromper sua progressão.1,2,3

A literatura científica aponta três razões principais pelas quais o diagnóstico das lesões de cárie é importante:

  1. Para alcançar o melhor resultado de saúde para o paciente, classificando as lesões de cárie correspondentes às melhores opções de tratamento para cada tipo de lesão. As lesões são atualmente classificadas da seguinte maneira:
    • lesões cavitadas (nas quais um buraco se desenvolveu no dente, que precisa ser restaurado por intervenção cirúrgica, como restauração);
    • lesões não cavitadas (que podem ser tratadas por intervenção e prevenção não cirúrgicas, como escovação com creme dental fluoretado);
    • lesões ativas (que indicam perda mineral continuada e podem ser tratadas por medidas não cirúrgicas);
    • lesões não ativas (que não exigem intervenção porque é improvável que a atividade metabólica do biofilme cause perda mineral).1
  2. Para informar o paciente. O paciente é o segredo do processo de manejo porque sua cooperação é essencial para controlar a doença e retardar ou reverter a progressão da cárie. Portanto, é muito importante fornecer-lhe o máximo de informação possível sobre o diagnóstico da cárie..1
  3. Para monitorar o curso clínico da doença. O monitoramento de longo prazo de lesões de cárie e o registro de alterações no status de atividade ou na integridade da superfície são a única maneira de saber se a cárie está piorando ou melhorando. Uma lesão ativa que se torna inativa é um resultado positivo, enquanto as ativas que permanecem ativas refletem falta de comprometimento ou cooperação por parte do paciente, e pode ser necessária intervenção profissional.1

A seguir, uma discussão sobre os diferentes métodos de diagnóstico de lesão de cárie e como o diagnóstico e o manejo da doença estão intrinsecamente ligados.