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Processo de Cárie e Estratégias de Prevenção: Desmineralização/Remineralização
Produção de Ácido Bacteriano

Autor do curso: Susan Higham, BSc (Bacharel em Ciências), PhD (doutora), CBiol (Bióloga Oficial), MRSB (Membro da Sociedade Real de Biologia); Chris Hope, BSc (Bacharel em Ciências) (com distinção), PhD (doutor), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior); Sabeel Valappil, BSc (Bacharel em Ciências), MSc (Mestre em Ciências), PhD (doutor), PGCertEd (Pós-Graduado em Educação), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior); Phil Smith, BDS (Bacharel em Ciências Odontológicas), MDS (Mestre em Ciências Odontológicas), PhD (doutor), FDS (Docente em Cirurgia Odontológica), DRD (Destacamento de Pesquisa Odontológica), MRD (Membro em Odontologia Restauradora), FDS (Docente em Cirurgia Odontológica) (Odont. Rest.), RCS (Academia Real de Cirurgiões) (Edin), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior)

Produção de Ácido Bacteriano

As bactérias se agregam na placa dentária na superfície externa dos dentes. As bactérias convertem glicose, frutose e sacarose em ácidos por meio de um processo chamado glicólise, que é a principal via de geração de energia de todas as bactérias, incluindo aquelas associadas à cárie, os Streptococcus mutans. Na Figura 1 abaixo, os monossacarídeos glicose, galactose e frutose podem entrar na via da glicólise nos pontos mostrados no diagrama.
As linhas pontilhadas nas vias indicam que existem etapas intermediárias adicionais. O Streptococcus mutans é capaz de metabolizar ainda mais o piruvato (ácido pirúvico), gerando ainda mais energia e subprodutos ácidos. Quando há excesso de açúcares, eles favorecem a via da lactato desidrogenase para produzir ácido lático. Isso faz com que o pH diminua rapidamente, tornando mais ácidos a saliva e o líquido interbacteriano da placa dentária.7-9

Figura 1. Via glicolítica do Streptococcus mutans, de monossacarídeos ao ácido.

Tabela mostrando a via glicolítica do Streptococcus mutans, de monossacarídeos aos ácidos
Via glicolítica do Streptococcus mutans, de monossacarídeos ao ácido.
Adaptado de: Marsh PD, Lewis MAO, Rogers H, et al. Oral Microbiology. 6 ed. 2016; Edimburgo: Churchill Livingstone Elsevier.

A rapidez com que o ácido é produzido se deve em parte à composição microbiana da placa dentária: Em geral, quanto mais bactérias acidogênicas e acidúricas, como o Streptococcus mutans, estão presentes na placa, mais rápido o ácido é produzido. A taxa de produção de ácido também depende da velocidade com que as bactérias da placa são capazes de metabolizar o carboidrato da dieta. Enquanto a sacarose é metabolizada rapidamente provocando uma rápida diminuição do pH, uma molécula grande, como de amido, se difunde na placa mais lentamente porque precisa ser quebrada antes de ser assimilada pelos micróbios da placa.7,8 A taxa de produção de ácido também é influenciada pela densidade da placa. A placa bacteriana menos densa, que pode ser penetrada pela saliva e o oxigênio que causam tamponamento, produz menos ácido que a placa muito densa, que não pode ser acessada pela saliva e pelo oxigênio.7,9,10

Quando não estão disponíveis açúcares (geralmente entre as refeições), as bactérias usam suas reservas de energia e formam os ácidos fórmico e acético no processo. Esses ácidos são mais fracos e não estão associados a danos à estrutura dentária.7