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Processo de Cárie e Estratégias de Prevenção: Desmineralização/Remineralização
Esmalte

Autor do curso: Susan Higham, BSc (Bacharel em Ciências), PhD (doutora), CBiol (Bióloga Oficial), MRSB (Membro da Sociedade Real de Biologia); Chris Hope, BSc (Bacharel em Ciências) (com distinção), PhD (doutor), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior); Sabeel Valappil, BSc (Bacharel em Ciências), MSc (Mestre em Ciências), PhD (doutor), PGCertEd (Pós-Graduado em Educação), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior); Phil Smith, BDS (Bacharel em Ciências Odontológicas), MDS (Mestre em Ciências Odontológicas), PhD (doutor), FDS (Docente em Cirurgia Odontológica), DRD (Destacamento de Pesquisa Odontológica), MRD (Membro em Odontologia Restauradora), FDS (Docente em Cirurgia Odontológica) (Odont. Rest.), RCS (Academia Real de Cirurgiões) (Edin), FHEA (Membro da Academia de Ensino Superior)

Esmalte

O esmalte é o tecido mais mineralizado do corpo, formando uma camada translúcida, muito dura e fina, de tecido calcificado que cobre toda a coroa anatômica do dente. O esmalte é tão duro porque é composto principalmente de materiais inorgânicos: Aproximadamente 95% do esmalte são íons de cálcio e de fosfato combinados para formar cristais fortes de hidroxiapatita. Os cristais de hidroxiapatita contêm íons de cálcio e de fosfato nas seguintes proporções: Ca10 (PO4)6 OH2. A hidroxiapatita incorpora oligoelementos facilmente em sua rede cristalina. Esses íons podem ser carregados negativamente (como fluoreto ou carbonato) ou positivamente (como sódio, zinco, estrôncio ou potássio). As concentrações desses oligoelementos alteram a solubilidade do esmalte. Por exemplo, a presença de fluoreto na estrutura cristalina fortalece a estrutura e diminui a solubilidade, enquanto a incorporação de carbonato aumenta a solubilidade. Verificou-se que os cristais de hidroxiapatita têm mais fluoreto e menos carbonato do que os cristais no interior, tornando a superfície externa menos solúvel do que as camadas mais profundas do esmalte.2,4,5

Aproximadamente 1% a 2% do esmalte são compostos de materiais orgânicos, especialmente proteínas específicas do esmalte chamadas de enamelinas, que têm alta afinidade pela ligação com cristais de hidroxiapatita. A água compõe o restante do esmalte, respondendo por cerca de 4% de sua composição.

Os componentes inorgânicos, orgânicos e a água do esmalte são altamente organizados: Milhões de cristais de hidroxiapatita carbonatados são dispostos em estruturas longas e finas chamadas prismas, que têm de 4 a 8 μm de diâmetro.2,4 Vistos no corte transversal, esses prismas parecem estruturas em forma de buraco de fechadura. Estima-se que o número de prismas em um dente varia de 5 milhões no incisivo lateral inferior a 12 milhões no primeiro molar superior. Em geral, os prismas se estendem em ângulos retos a partir da junção dentina-esmalte (a junção entre o esmalte e a camada abaixo dele, chamada dentina) até a superfície do dente. Ao redor de cada prisma, há uma bainha composta de uma matriz de proteínas de enamelinas. A área entre esses prismas é chamada de esmalte interprismático ou cimento interprismático. Embora tenha a mesma composição cristalina, a orientação do cristal é diferente, distinguindo os prismas do esmalte interprismático.2,4,5

Existem espaços minúsculos onde os cristais não se formam entre os prismas. Normalmente chamados de poros, eles contribuem para a permeabilidade do esmalte, que permite a circulação e difusão do fluido, mas também causam variações na densidade e dureza do dente, o que pode criar pontos mais propensos à desmineralização (perda de íons de cálcio e fosfato) quando o pH oral fica muito ácido.2,6