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Características Físicas

Incluem a adesividade (viscosidade) e o tempo de depuração dos carboidratos da dieta, além da frequência de exposição a eles. Em geral, os carboidratos da dieta que são pegajosos tem maior potencial cariogênico. Isso foi demonstrado pela primeira vez no Estudo Vipeholm, que fez com que os participantes do estudo consumissem sacarose em balas, chocolate, caramelo, pão ou em forma líquida. Foi demonstrado que a ingestão de alimentos viscosos, como balas e caramelos, produziu taxas de cárie mais elevadas entre os participantes monitorados do que entre aqueles que consumiram açúcares que podiam ser engolidos rapidamente.1 O aumento na atividade de cárie desapareceu quando os alimentos ricos em açúcar foram reduzidos ou removidos da dieta. No entanto, a cariogenicidade dos açúcares líquidos não deve ser descartada em vista da alta incidência de cárie associada ao consumo de refrigerantes e da ocorrência de cárie precoce (“da mamadeira”).5

Figura 2. Cárie na Primeira Infância.

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Fornecido e usado com a permissão de: Dra. Susan Higham, BSC (Bacharel em Ciências), PhD (doutora), CBiol (Bióloga Oficial), MSB (Membro da Sociedade de Biologia), Professora de Biologia Oral, Escola de Ciências Odontológicas, Universidade de Liverpool.

Também é importante considerar a taxa de depuração dos carboidratos da dieta no processo de cárie. Diferentes alimentos são depurados da cavidade bucal a diferentes taxas. Por exemplo, alimentos viscosos e retentivos, como caramelos, ou alimentos que podem ser compactados nas fóssulas e fissuras dos dentes, como biscoitos e bolos, têm tempos de depuração maiores. Em geral, os carboidratos refinados que são retidos por longos períodos tendem a ser os mais cariogênicos.3,5 Além disso, a produção de ácido bacteriano pode persistir depois de o carboidrato ser depurado da cavidade bucal.

A ligação entre a frequência da ingestão de carboidratos e a incidência de cárie também foi investigada no Estudo Vipeholm. Quando os participantes do estudo ingeriram 300 g de açúcar durante as refeições, foi observada uma taxa de cárie significativamente menor (0,43 novas lesões cariosas por ano) em comparação com os participantes que ingeriram a mesma quantidade de açúcar como lanches entre as refeições (4,02 novas lesões cariosas anualmente).1

Figura 3. Estudo Vipeholm.

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Incidência de cárie causada por diferentes quantidades e tipos de carboidratos na dieta.
Adaptado de: Gustafsson BE, et al. The Vipeholm dental caries study; the effect of different levels of carbohydrate intake on caries activity in 436 individuals observed for five years. Acta Odontal Scand. 1954;11(3-4):232-264.